martedì 13 gennaio 2015

O FANATISMO


Depois dos trágicos acontecimentos de Paris, muitas pessoas, inclusive do mundo religioso, atribuíram a responsabilidade destes atos sangrentos ao fanatismo (ou fundamentalismo religioso). Apesar de esta afirmação ser em parte verdadeira, acredito que falha em não perceber a essência do problema.
Lendo o Púbico, aprendi esta semana que o termo «fanático», na origem, se referia a «aqueles que saem do templo inspirados por um Deus furioso» (Rui Tavares – O Fanatismo, 12 jan. 2015). Ora, o âmago do problema da violência religiosa a alastrar pelo nosso mundo não reside no fervor destes fiéis entusiastas, mas, sim, no Deus que escolheram servir: um Deus furioso.
Deixe-me apresentar-lhe o meu Deus, que encontra na pessoa histórica de Jesus Cristo o seu rosto e a sua imagem perfeita. Este é um Deus gracioso. De facto, era Deus, mas viveu como o mais humilde dos humildes; tinha o direito de julgar os pecadores, mas antes os perdoava e oferecia uma vida nova; não tirava a vida aos vivos, mas a devolvia aos mortos; não feria, mas antes curava qualquer doença; não agia como um poder tenebroso e ameaçador, mas derrubava o poder das forças do mal e deixava resplandecer a luz do seu maravilhoso Reino; era insultado, mas não respondia insultando; era ameaçado, mas oferecia esperança; era desprezado por muitos, mas valorizava toda a pessoa; tinha poder para destruir os seres humanos, mas preferiu morrer por eles, para assim pagar o preço de todos os seus pecados e os reconciliar com Deus Pai.
Este é o meu Deus, um Deus gracioso. Não tenho receio de ser fanático deste Deus. Antes pelo contrário, tenho a certeza que se todos nós nos esforçássemos loucamente por ser como ele, refletir o seu caráter e viver como Ele viveu, então este mundo já não seria o lugar sombrio, triste e absurdamente malvado em que estamos a viver.

martedì 8 aprile 2014

Dívida, austeridade e graça


Hoje em dia, «dívida» e défice» devem ser as palavras mais ouvidas, escritas e lidas em Portugal e na maior parte dos países do Sul da Europa. Uma conjugação de más circunstâncias macroeconómicas e de políticas irresponsáveis levou tanto as entidades públicas quanto as privadas a acumular dívidas incomportáveis, que, no entender de muitos economistas e fiscalistas, nunca poderão ser integralmente pagas. E o que é mais frustrante nesta situação é a aparente irrelevância dos esforços que muitos de nós estão atualmente a fazer. A cada ano vemos a nossa situação económica deteriorar-se, enquanto o défice se mantém em percentagens elevadas e a dívida pública chega até a engrossar-se.
Além disso, esta criação de relações assimétricas entre credores e devedores está a transportar a Europa, que achávamos tão pacífica e encaminhada para uma maior unidade, para uma situação de conflito entre o norte rico e abastado, de um lado, e o sul pobre e endividado, do outro. A dívida cria no primeiro leque de países um sentimento de superioridade moral e o ressurgimento de atitudes nacionalistas por parte de quem não quer ser solidário; no sul, pelo contrário, fomenta radicalismos alimentados pela humilhação de quem perdeu a sua soberania financeira e está condenado a terríveis sacrifícios que, provavelmente, nunca darão os resultados esperados.
Como sair desta situação? Não sou economista nem percebo muito de finanças, mas imagino que um dia, provavelmente, um perdão clemente das nossas dívidas, fruto dos erros do passado, poderá reequilibrar a situação e, espero, educar-nos para que nunca mais permitamos tamanho descalabro das nossa contas públicas e privadas.
Na nossa relação com Deus, muitas vezes vivemos uma situação análoga. Os nossos pecados são dívidas para com Deus. Separam-nos Dele, obrigam Deus a afastar-se de nós e criam em nós um sentimento de perene desconfiança para com um Deus que vemos como credor inflexível. Como podemos amar a Deus nesta situação? Como podemos estar em paz?
Todas as religiões ensinam que uma boa dose de austeridade espiritual, sob forma de práticas religiosas, boas obras, peregrinações, ofertas de dinheiro etc. nos levará um dia a saldar as dívidas e, finalmente, ter paz com o nosso Criador. Contudo, Deus, na Sua palavra, transmitiu-nos uma mensagem bem-diferente. Com efeito, pela boca do Apóstolo Paulo, Deus declara que «Não há ninguém que seja justo. Ninguém. Não ninguém que compreenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos andam fora do caminho e se perdem. Não há quem faça o bem. Nem um só» (Carta aos Romanos, 3:10-12).
Em termos económico-financeiro-espirituais, quer isto dizer que toda a nossa austeridade espiritual e os nossos esforços pouco ou nada valem. Queremos ser justificados pelos nossos sacrifícios, mas diante de Deus a nossa dívida insustentável nos qualifica como pecadores/devedores. O que fazer então? Estamos assim tão sem esperança?
Na realidade, as nações podem bem recusar-se a conceder uma reestruturação das nossas dívidas, os bancos podem ser inflexíveis no pagamento dos empréstimos e os credores internacionais podem retaliar contra o nosso incumprimento não nos emprestando nem mais um euro. Mas Deus é diferente. Pela sua bondade, Ele decidiu perdoar toda a dívida a quem puser a sua confiança no Seu Filho, que, morrendo na cruz, pagou o preço de todos os nossos pecados. A Bíblia diz: «Deus faz com que as pessoas sejam justificadas por meio da fé em Jesus Cristo. É assim para todos os que creem em Jesus Cristo, sem haver diferença de pessoas» (Romanos: 3:22).
Esta é a maravilhosa graça de Deus, concedida gratuitamente pela nossa fé em Jesus. É o mais incrível haircut de dívidas jamais realizado, a mais maravilhosa reestruturação e reescalonamento que possamos imaginar, o mais inefável perdão fiscal de que haja memória. O que ganhamos com isso não é um simples retorno à nossa soberania financeira, mas sim a possibilidade de sermos reconciliados com Deus, estarmos em paz com Ele, termos uma vida com sentido e propósito, e passarmos a eternidade na sua gloriosa presença. 

venerdì 30 novembre 2012

Resgatados


 A palavra resgate começou a soar muito mal aos ouvidos portugueses e dos estrangeiros residentes em Portugal (entre os quais me incluo) nestes últimos anos. O resgate de que sempre se fala ultimamente é o triste resgate financeiro a que tivemos que ser submetidos, devido à crise da dívida soberana que atingiu como um tsunami económico a maior parte das economias europeias periféricas. Claro, o resgate foi melhor do que declarar bancarrota; contudo, infelizmente sermos resgatados nos levou também a ter que nos submeter a políticas oriundas de centros de decisões não nacionais. Perdemos parte da nossa soberania; o nosso orgulho nacional foi ferido; fomos sujeitados a um sufocante plano de contenção das despesas; as esperanças da minha geração a uma vida melhor, a uma família, a um trabalho estável e ao sucesso profissional foram seriamente postas em perigo.
A Bíblia fala dum outro resgate. Antes disso, todavia, fala dum outro problema, duma outra “dívida” que aflige a humanidade, cujo nome é pecado. Embora possamos não dar por ela e não sentir o seu fardo no fim do mês, este problema é bem mais profundo do que qualquer problema financeiro e decreta o afastamento da maior fonte de felicidade e bem-estar que poderíamos alguma vez obter: Deus.
A boa notícia é que Deus, o nosso credor, enviou um emissário para acertar as contas connosco. Este emissário chama-se Jesus Cristo e é Seu Filho. Ele não nos veio oferecer um terrível plano de austeridade, cujo êxito é ainda por cima incerto, mas, ao contrário, ofereceu uma solução eficaz e perfeita: ofereceu-se para pagar as nossas contas e pôr-nos na justa ordem com o Seu Pai.
E agora Jesus não sujeita os resgatados uma série de regras impossíveis de cumprir e a uma austeridade sufocante. Ele pede-nos obediência, sim, mas o seu fardo é suave, o seu jugo é leve e o que nos pede é sempre para o nosso bem, para que sejamos bem-governados e não nos metamos novamente em sarilhos.
O que eu quero dizer é isto: se achas que tens dívidas com Deus ou que ainda não tens comunhão com Ele e a desejas, lembra-te que Ele já enviou um emissário para te resgatar. Chama-se Jesus Cristo e o que ele pede de ti é, antes de tudo, de depositares a tua fé nele para seres salvado; e, depois, de segui-lo na tua vida, segundo a revelação que ele deu de si na Bíblia.

martedì 27 marzo 2012

A ASSUNÇÃO DE DÍVIDA E A GRAÇA DE DEUS


Devido ao facto de trabalhar no âmbito do direito, reparo que, muitas vezes, acabo por transpor as categorias do pensamento jurídico para outras realidades. Acabo, em suma, por “juridificar” muitas coisas que, em si, de jurídico têm pouco ou nada. Acho que se chama a isso «deformação profissional», e acontece não só aos juristas mas – em maior ou menor medida – a todos os tipos de profissionais e trabalhadores.

Vejo que isto me acontece, com alguma frequência, quando leio a Bíblia e penso na minha relação com Deus. No outro dia, por exemplo, estava a estudar o direito das obrigações e li um artigo do Código Civil português que fala da assunção de dívida. Em extrema síntese, digamos que o artigo afirma que se Fulano tem uma dívida para com Sicrano, Beltrano pode assumir esta dívida e responsabilizar-se totalmente por ela, desde que haja acordo entre Beltrano e Fulano, o antigo devedor, e desde que Sicrano, o credor, ratifique o tal acordo.

Ora, imaginemos que nós somos Fulano e temos uma dívida para com Deus, que, neste caso, aparece como Sicrano, o credor. Alguém poderá perguntar: mas que dívida temos para com Deus? Eu acredito que os nossos pecados, sendo ofensas a Deus, constituem sempre uma dívida para com Ele. As mentiras, os roubos, as invejas, as calúnias e todos os outros pecados, além de serem uma ofensa para com o nosso próximo, representam uma ofensa a Deus. Ao longo da nossa vida, amontoamos uma dívida enorme e, um dia, teremos que prestar contas dela.

Todavia, a Bíblia nos garante que Deus não quer condenar-nos como devedores incumpridores e, por isso, já predispôs um meio para nos livrar dela e nos dar a paz. De facto, Jesus Cristo, enquanto Filho de Deus, aceita ficar, digamos, com a nossa dívida no momento em que nós pomos a nossa fé nele e lhe pedimos para nos ajudar. Deus demonstrou ter ratificado esta transferência ao enviar o Seu Filho ao mundo e a ressuscitá-lo da morte.

A Bíblia nos diz que, no momento em que pomos a nossa fé em Jesus Cristo, a dívida causada pelos nossos pecados fica liquidada. Isto não acontece em razão das boas obras que possamos realizar, nem em virtude de algum ritual ou duma intercessão realizada por algum ministro do culto. Ocorre simplesmente pelo facto de nos arrependermos dos nossos pecados e das nossas transgressões e, de coração aberto e sincero, pedirmos a Jesus que seja o pagador da nossa dívida para com Deus.

Num dia na minha vida eu pedi a Jesus que pagasse a minha dívida. Às vezes, fui tentado a duvidar que isto tivesse realmente acontecido por parecer quase demasiado bonito. Com efeito, é fácil não conseguirmos acreditar nesta mensagem por nos parecer demasiado incrível. Mas temos que nos lembrar que, segundo o que a Palavra de Deus diz, Deus quis que deste modo nós pudéssemos ser salvos. Deus ratificou esta transferência, aceitando o sacrifício de Jesus como cumprimento da nossa dívida. O que agora compete a nós é simplesmente acreditar.

A Bíblia diz: «Deus faz com que as pessoas sejam justificadas por meio da fé em Jesus Cristo. É assim para todos os que creem em Jesus Cristo, sem haver diferença de pessoas. Todos pecaram e estão privados da glória de Deus. Mas pela sua bondade imerecida, Deus os justifica gratuitamente por meio de Jesus Cristo que os libertou do poder do pecado» (Carta de Paulo aos Romanos, 3:21-24).

martedì 20 dicembre 2011

Normalmente, quando cuidamos de alguma coisa e a consideramos importante nos informamos para tomarmos as melhores decisões acerca dela. Por exemplo, quase toda a gente cuida muito da própria saúde. Hoje em dia, gastamos muito dinheiro em medicamentos ou comida saudável, e os seguros de saúde são muito procurados para acrescentarmos uma ulterior proteção àquela que nos é fornecida pelo Estado. Semelhantemente, cuidamos muito da nossa instrução, do bem estar das nossas famílias e até dos nossos animais de estimação.

O que me espanta é que concentramos tanto as nossas energias, atenções e recursos financeiros na saúde, na educação, na família, no lazer etc. e descuidamos de uma forma tão grosseira a nossa relação com Deus. Falando de religião com as pessoas, às vezes ouvi dizer: «esta é a religião que me foi dada pela minha família e é com esta que quero viver e morrer». Não entendo muito bem esta resposta. Se estivesse em causa uma doença, provavelmente procuraríamos o médico mais competente, ouviríamos conselhos de outras pessoas, faríamos pesquisas na internet e até chegaríamos a ir num hospital noutro país se este fosse a nossa única solução. Todavia, quando se fala da saúde, digamos, da nossa alma, consideramos suficiente e certeira a solução herdada acriticamente dos nossos pais ou do meio social em que estamos inseridos.

Faz algum sentido? Parece-me que não. Se a vida eterna e a nossa alma valem mais do que a vida terrena e o nosso corpo, então por que razão somos tão exigentes com as duas últimas e tão desleixados com as duas primeiras? Por que nos contentamos com o que a nossa mãe acreditava, e antes dela a nossa avó e, antes dela, a nossa bisavó e assim por diante? A passagem de uma crença de geração a geração não é suficiente para a tornar verdadeira, não é verdade?

O facto é que algumas pessoas acham que ter fé é aceitar dogmaticamente uma crença, seja esta qual for, e que Deus se contente com isso. Eu detesto esta ideia. Acho que somos pessoas racionais, que Deus nos deu a capacidade de pensar, de analisar e refletir, e portanto devemos usar esta capacidade mesmo na nossa escolha de acreditar ou não acreditar numa mensagem religiosa. Eu não tenho medo de analisar crítica e historicamente a mensagem de Jesus Cristo, porque acredito na sua veracidade e considero que a verdade é bastante forte para não desmoronar diante das críticas de tipo intelectual e das investigações históricas

Outra atitude desleixada que vejo muitas vezes no âmbito cristão é a de acreditarmos no cristianismo sem nunca ter investigado na Bíblia o que o cristianismo é. Infelizmente, muito do que nós advertimos como cristianismo não passa de criações culturais que se afirmaram completamente fora da mensagem bíblica originária. Para detectar a diferença entre a mensagem cristã verdadeira e uma incrustação histórica sucessiva não é necessária uma licenciatura em teologia: pode ser suficiente uma leitura atenta e honesta do Novo Testamento.

Pensem nisso: se você recorre a um advogado para se defender num processo, você espera que este profissional do direito apresente uma defesa baseada na legislação vigente. Se este advogado preparar a sua defesa utilizando estranhas ideias ouvidas algures e opiniões pessoais, a coisa melhor que você pode fazer é mudar imediatamente de advogado. A mesma coisa passa-se com a religião cristã: se partirmos do princípio que a Bíblia é, digamos, a “Constituição” do cristianismo, então será lógico procurar nela as suas verdades fundamentais, básicas e inalteráveis. Só desta forma poderemos reconhecer o que é verdadeiramente «palavra de Deus» e o que são meras ideias humanas. A nossa relação com Deus terá os alicerces na “legislação vigente”, por assim dizer, e não naquilo que nós pensamos seja a verdade.

Eu não sou nenhum perito nestes assuntos, e portanto não tenho legitimidade para ensinar. Apesar disso, permitam-me deixar aqui uma dica que fez toda a diferença na minha vida: todos somos desleixados com algumas coisas. Eu o sou, e não pouco, no vestuário, na arrumação da casa, na organização da minha atividade profissional, só para citar alguns exemplos. Todavia, se deve ser desleixado nalguma coisa na sua vida, não o seja na sua religião, porque nada na vida – nem a família, nem a carreira nem a sua saúde ou outra coisa qualquer – vale quanto a sua relação com Deus ou com o Seu Filho Jesus Cristo. Ponha isto em primeiro lugar e procure a verdade na Palavra de Deus, não confiando cegamente no que alguém, um dia, lhe disse ser a verdade.

mercoledì 26 ottobre 2011

A VERDADEIRA REVOLUÇÃO

Sempre me fascinou e intrigou o tema da revolução, a forma em que as pessoas mudam, às vezes até de forma violenta e abrupta, um sistema político, na expectativa de criar algo melhor, de dar uma nova ordenação jurídico-política ao próprio país, capaz de evitar os erros do passado e encaminhar os homens para um novo horizonte de prosperidade, paz e solidariedade.

Acho o tema da revolução fascinante, mas também triste e frustrante. Digo isto porque, ao longo da história, todos estes sonhos de mudança se tornaram em grandes desilusões. As utopias, na maior parte dos casos históricos, transformaram-se em terríveis distopias, isto é, em sociedades monstruosas, em que a violação da dignidade humana e dos direitos fundamentais chegaram a níveis inimagináveis. Penso, por exemplo, no regime estalinista, no nacional-socialismo, no regime dos khmer vermelhos de Pol Pot em Camboja.

Mesmo quando a revolução conseguiu levar à implantação de um regime constitucional democrático – como no caso de Portugal ou Itália– o resultado a que se chegou é bem longe do ideal de justiça perfeita e paz perpétua que os revolucionários costumam usar como objeto da sua propaganda. Embora apreciemos justamente as garantias democráticas que nos assistam, continuamos a queixar-nos das injustiças, da corrupção da política e das desigualdades sociais.

Porque isto tudo? Por que razão as ideologias, tanto de esquerda como de direita, são incapazes de nos dar um novo sistema jurídico e político capaz de nos garantir uma sociedade justa, equilibrada, protetora dos mais desfavorecidos e solidária para com os pobres?

Eu acho que todas as revoluções, assim como as ideologias que lhe servem de combustível, esquecem que a verdadeira revolução, a única capaz de resultar, é a que começa com o coração humano. Se no coração humano residir cobiça, egoísmo, sede de poder, luxúria, deslealdade e falta de respeito, então nenhum sistema social ou político será capaz de mudar o estado das coisas. Embora possamos criar eficazes sistemas de repressão e controlo, a maldade do homem continuará a abrigar-se no seu íntimo e procurará novas formas de se manifestar e de prejudicar os outros.

Eu acho que a verdadeira revolução, a que hoje deveríamos começar mesmo no nosso país, é a que Jesus Cristo nos oferece: uma mudança de coração que nasce no momento em que nos reconhecemos pecadores e pomos a confiança Nele para sermos perdoados. Só esta é capaz de produzir frutos de justiça autênticos e que perduram.

Vejam este exemplo. Se um macaco desejar ser um baterista jazz, é inútil comprar-lhe uma bateria, pagar-lhe aulas na melhor escola de música do país e dar-lhe o nome de um famoso músico jazz americano. Todas estas coisas são mera maquilhagem, mudam o semblante do animal mas não a sua essência. A única solução é encontrar alguém capaz de transformar aquele macaco num ser humano. Então sim, ele poderá aprender a tocar e a ler a música.

Da mesma forma, eu acho que Jesus Cristo não se limita a ensinar-nos algumas coisas acerca da justiça e do amor. Ele quer antes transformar-nos em novos homens, sabendo que uma árvore em si boa não pode que produzir bons frutos. Acho que era a esta revolução interior que se estava a referir quando disse a um senhor chamado Nicodemos: «Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus» (João 3:3). Este novo nascimento é autêntica revolução, de que todas as revoluções exteriores afinal dependem.

martedì 18 ottobre 2011

O perdão de Deus

Muitos de nós pensam que Deus perdoa pessoas que cometem pequenos pecados, tais como dizer umas mentirinhas de vez em quando ou encolerizar-se com alguém, mas que não perdoa grandes pecados como o homicídio ou o roubo. Existe uma ideia popular, muitas vezes confundida com o cristianismo, segundo a qual as portas do Paraíso estão abertas ao homem, desde que ele tenha uma vida mediocremente decente e tenha sido responsável somente de pecados de pequena gravidade.

Na realidade, esta forma de raciocinar é tipicamente humana. E nós homens tendemos sempre a imaginar Deus segundo aquilo que nós pensamos e sentimos, segundo os nossos esquemas mentais, e não segundo a imagem que Ele dá de si mesmo na Sua Palavra.

O que há de tanto errado nesta visão de Deus?

Em primeiro lugar, Jesus não nos falou duma hierarquia de pecados. O alcoolismo vale tanto quanto o adultério? A violência é mais grave do que cometer uma fraude? Não sabemos. A Bíblia não é um código penal com a fixação de diferentes penas para os pecados. A verdade é que todo o pecado é grave para Deus. E a verdade é que não existe ninguém que seja verdadeiramente puro, que se possa apresentar diante de Deus confiante de ser aprovado pelas suas boas ações. Todos temos pecado e perdido o acesso à glória de Deus. Se não acreditamos nisso, ou achamos que somos boas pessoas simplesmente porque nunca fizemos nada que merecesse a prisão, então olhemos para o interior do nosso coração e sejamos sinceros connosco. Somos capazes de amar ao nosso próximo como a nós mesmos? A resposta que eu dou quando olho para mim mesmo é: não.

Em segundo lugar, a ideia que expus acima é errada porque esquece que o perdão de Deus é tão vasto e infinito quanto o céu. Se tivermos fé em Jesus Cristo e acreditarmos que morreu para pagar o preço dos nosso pecados, Deus nos garante que vai afastar os nossos pecados de nós tanto quanto o oriente está afastado do ocidente. Não interessa se no passado fomos homicidas, ladrões, se nos prostituímos ou se simplesmente mentíamos ocasionalmente, o perdão de Deus é certo, total e definitivo. É algo que Deus faz na nossa vida. Nada lhe podemos adicionar ou tirar.

Tudo isso é contrário ao que o homem normalmente pensa em relação ao conceito de pecado e perdão. Nós homens tendemos a ser menos exigentes quanto ao pecado e, ao mesmo tempo, achamos errado, quase injusto, que pessoas cujas mãos estão sujas de sangue possam ser perdoadas tão facilmente e serem aceites por Deus. Esta discrepância entre a nossa forma de pensar e a mensagem do Evangelho vem confirmar-me mais uma vez que o cristianismo é absolutamente contraintuitivo do ponto de vista humano. Acredito na sua veracidade, que seja uma mensagem que vem de Deus e não de meros homens porque eu nunca teria sido capaz de a inventar ou imaginar. A mensagem de Jesus Cristo apanha-me em contra-ataque e deixa-me desconcertado. Mas ao mesmo tempo convence-me.

Querido leitor, se nunca te reconheceste pecador aos olhos de Deus acho que deves considerar o que verdadeiramente é a justiça de Deus e como nós somos incapazes de a cumprir verdadeiramente.

Se, ao invés, andas carregado com remorso e culpa por te teres reconhecido pecador ou por erros que possas ter praticado ao longo da tua vida, espero que hoje mesmo tu possas lançar todos os teus fracassos e a tua tristeza sobre Deus e possas acreditar que Jesus veio à terra e morreu numa cruz para resgatar todos os que se querem pôr em ordem perante Deus.

Boa noite