martedì 27 marzo 2012

A ASSUNÇÃO DE DÍVIDA E A GRAÇA DE DEUS


Devido ao facto de trabalhar no âmbito do direito, reparo que, muitas vezes, acabo por transpor as categorias do pensamento jurídico para outras realidades. Acabo, em suma, por “juridificar” muitas coisas que, em si, de jurídico têm pouco ou nada. Acho que se chama a isso «deformação profissional», e acontece não só aos juristas mas – em maior ou menor medida – a todos os tipos de profissionais e trabalhadores.

Vejo que isto me acontece, com alguma frequência, quando leio a Bíblia e penso na minha relação com Deus. No outro dia, por exemplo, estava a estudar o direito das obrigações e li um artigo do Código Civil português que fala da assunção de dívida. Em extrema síntese, digamos que o artigo afirma que se Fulano tem uma dívida para com Sicrano, Beltrano pode assumir esta dívida e responsabilizar-se totalmente por ela, desde que haja acordo entre Beltrano e Fulano, o antigo devedor, e desde que Sicrano, o credor, ratifique o tal acordo.

Ora, imaginemos que nós somos Fulano e temos uma dívida para com Deus, que, neste caso, aparece como Sicrano, o credor. Alguém poderá perguntar: mas que dívida temos para com Deus? Eu acredito que os nossos pecados, sendo ofensas a Deus, constituem sempre uma dívida para com Ele. As mentiras, os roubos, as invejas, as calúnias e todos os outros pecados, além de serem uma ofensa para com o nosso próximo, representam uma ofensa a Deus. Ao longo da nossa vida, amontoamos uma dívida enorme e, um dia, teremos que prestar contas dela.

Todavia, a Bíblia nos garante que Deus não quer condenar-nos como devedores incumpridores e, por isso, já predispôs um meio para nos livrar dela e nos dar a paz. De facto, Jesus Cristo, enquanto Filho de Deus, aceita ficar, digamos, com a nossa dívida no momento em que nós pomos a nossa fé nele e lhe pedimos para nos ajudar. Deus demonstrou ter ratificado esta transferência ao enviar o Seu Filho ao mundo e a ressuscitá-lo da morte.

A Bíblia nos diz que, no momento em que pomos a nossa fé em Jesus Cristo, a dívida causada pelos nossos pecados fica liquidada. Isto não acontece em razão das boas obras que possamos realizar, nem em virtude de algum ritual ou duma intercessão realizada por algum ministro do culto. Ocorre simplesmente pelo facto de nos arrependermos dos nossos pecados e das nossas transgressões e, de coração aberto e sincero, pedirmos a Jesus que seja o pagador da nossa dívida para com Deus.

Num dia na minha vida eu pedi a Jesus que pagasse a minha dívida. Às vezes, fui tentado a duvidar que isto tivesse realmente acontecido por parecer quase demasiado bonito. Com efeito, é fácil não conseguirmos acreditar nesta mensagem por nos parecer demasiado incrível. Mas temos que nos lembrar que, segundo o que a Palavra de Deus diz, Deus quis que deste modo nós pudéssemos ser salvos. Deus ratificou esta transferência, aceitando o sacrifício de Jesus como cumprimento da nossa dívida. O que agora compete a nós é simplesmente acreditar.

A Bíblia diz: «Deus faz com que as pessoas sejam justificadas por meio da fé em Jesus Cristo. É assim para todos os que creem em Jesus Cristo, sem haver diferença de pessoas. Todos pecaram e estão privados da glória de Deus. Mas pela sua bondade imerecida, Deus os justifica gratuitamente por meio de Jesus Cristo que os libertou do poder do pecado» (Carta de Paulo aos Romanos, 3:21-24).