Visualizzazione post con etichetta Graça Jesus Evangelho Epifania. Mostra tutti i post
Visualizzazione post con etichetta Graça Jesus Evangelho Epifania. Mostra tutti i post

giovedì 31 marzo 2011

PERCEBER A GRAÇA

Já ouviram a expressão “ter uma epifania”? Significa ter uma improvisa e inesperada compreensão de alguma coisa, uma espécie de iluminação repentina que muda a nossa maneira de ver as coisas. É uma experiência que me aconteceu mais do que uma vez ao longo da minha vida.

A epifania que mais mudou a minha vida ocorreu há alguns anos atrás (devia ser Julho de 2007), quando, sentado no banco de uma igreja, de repente percebi o que queria dizer que Jesus Cristo tinha morrido para perdoar os meus pecados.

Como já escrevi num post anterior, já me tinha convertido há algum tempo. Só que, no meu caso, não tinha percebido logo inteiramente a mensagem do Evangelho. Assim, andei quase dois anos aprofundando os meus conhecimentos lendo a Bíblia e frequentando uma igreja. Aos poucos e poucos, muitas coisas tornavam-se claras. E a minha vida ia mudando.

Apesar disso, quando ouvia falar da morte de Jesus na cruz para o perdão dos pecados perguntava-me o que isso queria dizer. «Deus não podia simplesmente perdoar os homens sem necessidade de deixar morrer o seu Filho?», pensava.

Um domingo de Julho, estando eu de férias em Portugal, ouvi uma pregação numa igreja que veio mudar a minha vida. Lembro que não estava com muita atenção naquela manha, estava até a achar aborrecido o discurso do pregador, ou melhor, «de nenhuma utilidade», lembro-me de ter pensado naquele momento. Quase no fim da pregação, o pregador disse que quando os missionários cristãos tentavam explicar a graça aos índios americanos utilizavam uma história que fazia parte da sua própria cultura. A história era mais ou menos esta:

Havia uma vez um chefe que tinha sido procurado por alguns membros da sua tribo. Estes queixavam-se de ter sido vítimas de roubos de galinhas. O chefe, para reagir, decidiu emitir uma lei segundo a qual qualquer pessoa que tivesse sido apanhada a roubar uma galinha teria sido punida com uma chicoteada.

Todavia, depois de a lei ter sido emitida, os roubos não diminuíram, mas antes aumentaram. Em pouco tempo, já tinham desaparecido 100 galinhas. Até que foi apanhado o responsável. Com grande espanto de todos, descobriu-se que o responsável era...a mãe do próprio chefe.

A noite antes da execução da terrível punição, o chefe sentia-se profundamente angustiado no seu coração. Não podia voltar atrás, porque o crime tinha que ser justamente punido. E, além disso, se suspendesse a execução, quantas pessoas começariam a roubar impunemente? Mas como esconder o profundo amor que sentia para com a pessoa que o tinha dado à luz? Como punir alguém que amava de todo o coração?

Na manhã em que se devia executar a sentença, a mãe do chefe estava amarrada a um poste de madeira, pronta para receber as 100 chicoteadas. O chefe apresentou-se mas, sob o olhar espantado de todos, entregou o chicote ao seu servo, despiu-se, abraçou a mãe e ordenou que fosse executada a sentença, recebendo nas suas costas todas as chicoteadas.

Quando o pregador acabou esta história, explicou que Deus fez a mesma coisa connosco, quando estabeleceu o que era justo e o que era errado, e que o pecado tinha como salário a morte. Mas decidiu poupar a nossa vida e punir o seu próprio Filho, que nos abraçou voluntariamente e sem que o merecêssemos, independentemente das galinhas que já tivéssemos roubado.

No final deste discurso, já não achava aquela pregação desinteressante. De repente, algo mudou dentro de mim. Uma epifania. A mais forte e importante que alguma vez tive. Na tarde daquele dia, parecia-me que o meu coração, de tanta alegria, estivesse a dar cambalhotas dentro de mim.