Acho o tema da revolução fascinante, mas também triste e frustrante. Digo isto porque, ao longo da história, todos estes sonhos de mudança se tornaram em grandes desilusões. As utopias, na maior parte dos casos históricos, transformaram-se em terríveis distopias, isto é, em sociedades monstruosas, em que a violação da dignidade humana e dos direitos fundamentais chegaram a níveis inimagináveis. Penso, por exemplo, no regime estalinista, no nacional-socialismo, no regime dos khmer vermelhos de Pol Pot em Camboja.
Mesmo quando a revolução conseguiu levar à implantação de um regime constitucional democrático – como no caso de Portugal ou Itália– o resultado a que se chegou é bem longe do ideal de justiça perfeita e paz perpétua que os revolucionários costumam usar como objeto da sua propaganda. Embora apreciemos justamente as garantias democráticas que nos assistam, continuamos a queixar-nos das injustiças, da corrupção da política e das desigualdades sociais.
Porque isto tudo? Por que razão as ideologias, tanto de esquerda como de direita, são incapazes de nos dar um novo sistema jurídico e político capaz de nos garantir uma sociedade justa, equilibrada, protetora dos mais desfavorecidos e solidária para com os pobres?
Eu acho que todas as revoluções, assim como as ideologias que lhe servem de combustível, esquecem que a verdadeira revolução, a única capaz de resultar, é a que começa com o coração humano. Se no coração humano residir cobiça, egoísmo, sede de poder, luxúria, deslealdade e falta de respeito, então nenhum sistema social ou político será capaz de mudar o estado das coisas. Embora possamos criar eficazes sistemas de repressão e controlo, a maldade do homem continuará a abrigar-se no seu íntimo e procurará novas formas de se manifestar e de prejudicar os outros.
Eu acho que a verdadeira revolução, a que hoje deveríamos começar mesmo no nosso país, é a que Jesus Cristo nos oferece: uma mudança de coração que nasce no momento em que nos reconhecemos pecadores e pomos a confiança Nele para sermos perdoados. Só esta é capaz de produzir frutos de justiça autênticos e que perduram.
Vejam este exemplo. Se um macaco desejar ser um baterista jazz, é inútil comprar-lhe uma bateria, pagar-lhe aulas na melhor escola de música do país e dar-lhe o nome de um famoso músico jazz americano. Todas estas coisas são mera maquilhagem, mudam o semblante do animal mas não a sua essência. A única solução é encontrar alguém capaz de transformar aquele macaco num ser humano. Então sim, ele poderá aprender a tocar e a ler a música.
Da mesma forma, eu acho que Jesus Cristo não se limita a ensinar-nos algumas coisas acerca da justiça e do amor. Ele quer antes transformar-nos em novos homens, sabendo que uma árvore em si boa não pode que produzir bons frutos. Acho que era a esta revolução interior que se estava a referir quando disse a um senhor chamado Nicodemos: «Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus» (João 3:3). Este novo nascimento é autêntica revolução, de que todas as revoluções exteriores afinal dependem.