mercoledì 26 ottobre 2011

A VERDADEIRA REVOLUÇÃO

Sempre me fascinou e intrigou o tema da revolução, a forma em que as pessoas mudam, às vezes até de forma violenta e abrupta, um sistema político, na expectativa de criar algo melhor, de dar uma nova ordenação jurídico-política ao próprio país, capaz de evitar os erros do passado e encaminhar os homens para um novo horizonte de prosperidade, paz e solidariedade.

Acho o tema da revolução fascinante, mas também triste e frustrante. Digo isto porque, ao longo da história, todos estes sonhos de mudança se tornaram em grandes desilusões. As utopias, na maior parte dos casos históricos, transformaram-se em terríveis distopias, isto é, em sociedades monstruosas, em que a violação da dignidade humana e dos direitos fundamentais chegaram a níveis inimagináveis. Penso, por exemplo, no regime estalinista, no nacional-socialismo, no regime dos khmer vermelhos de Pol Pot em Camboja.

Mesmo quando a revolução conseguiu levar à implantação de um regime constitucional democrático – como no caso de Portugal ou Itália– o resultado a que se chegou é bem longe do ideal de justiça perfeita e paz perpétua que os revolucionários costumam usar como objeto da sua propaganda. Embora apreciemos justamente as garantias democráticas que nos assistam, continuamos a queixar-nos das injustiças, da corrupção da política e das desigualdades sociais.

Porque isto tudo? Por que razão as ideologias, tanto de esquerda como de direita, são incapazes de nos dar um novo sistema jurídico e político capaz de nos garantir uma sociedade justa, equilibrada, protetora dos mais desfavorecidos e solidária para com os pobres?

Eu acho que todas as revoluções, assim como as ideologias que lhe servem de combustível, esquecem que a verdadeira revolução, a única capaz de resultar, é a que começa com o coração humano. Se no coração humano residir cobiça, egoísmo, sede de poder, luxúria, deslealdade e falta de respeito, então nenhum sistema social ou político será capaz de mudar o estado das coisas. Embora possamos criar eficazes sistemas de repressão e controlo, a maldade do homem continuará a abrigar-se no seu íntimo e procurará novas formas de se manifestar e de prejudicar os outros.

Eu acho que a verdadeira revolução, a que hoje deveríamos começar mesmo no nosso país, é a que Jesus Cristo nos oferece: uma mudança de coração que nasce no momento em que nos reconhecemos pecadores e pomos a confiança Nele para sermos perdoados. Só esta é capaz de produzir frutos de justiça autênticos e que perduram.

Vejam este exemplo. Se um macaco desejar ser um baterista jazz, é inútil comprar-lhe uma bateria, pagar-lhe aulas na melhor escola de música do país e dar-lhe o nome de um famoso músico jazz americano. Todas estas coisas são mera maquilhagem, mudam o semblante do animal mas não a sua essência. A única solução é encontrar alguém capaz de transformar aquele macaco num ser humano. Então sim, ele poderá aprender a tocar e a ler a música.

Da mesma forma, eu acho que Jesus Cristo não se limita a ensinar-nos algumas coisas acerca da justiça e do amor. Ele quer antes transformar-nos em novos homens, sabendo que uma árvore em si boa não pode que produzir bons frutos. Acho que era a esta revolução interior que se estava a referir quando disse a um senhor chamado Nicodemos: «Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus» (João 3:3). Este novo nascimento é autêntica revolução, de que todas as revoluções exteriores afinal dependem.

martedì 18 ottobre 2011

O perdão de Deus

Muitos de nós pensam que Deus perdoa pessoas que cometem pequenos pecados, tais como dizer umas mentirinhas de vez em quando ou encolerizar-se com alguém, mas que não perdoa grandes pecados como o homicídio ou o roubo. Existe uma ideia popular, muitas vezes confundida com o cristianismo, segundo a qual as portas do Paraíso estão abertas ao homem, desde que ele tenha uma vida mediocremente decente e tenha sido responsável somente de pecados de pequena gravidade.

Na realidade, esta forma de raciocinar é tipicamente humana. E nós homens tendemos sempre a imaginar Deus segundo aquilo que nós pensamos e sentimos, segundo os nossos esquemas mentais, e não segundo a imagem que Ele dá de si mesmo na Sua Palavra.

O que há de tanto errado nesta visão de Deus?

Em primeiro lugar, Jesus não nos falou duma hierarquia de pecados. O alcoolismo vale tanto quanto o adultério? A violência é mais grave do que cometer uma fraude? Não sabemos. A Bíblia não é um código penal com a fixação de diferentes penas para os pecados. A verdade é que todo o pecado é grave para Deus. E a verdade é que não existe ninguém que seja verdadeiramente puro, que se possa apresentar diante de Deus confiante de ser aprovado pelas suas boas ações. Todos temos pecado e perdido o acesso à glória de Deus. Se não acreditamos nisso, ou achamos que somos boas pessoas simplesmente porque nunca fizemos nada que merecesse a prisão, então olhemos para o interior do nosso coração e sejamos sinceros connosco. Somos capazes de amar ao nosso próximo como a nós mesmos? A resposta que eu dou quando olho para mim mesmo é: não.

Em segundo lugar, a ideia que expus acima é errada porque esquece que o perdão de Deus é tão vasto e infinito quanto o céu. Se tivermos fé em Jesus Cristo e acreditarmos que morreu para pagar o preço dos nosso pecados, Deus nos garante que vai afastar os nossos pecados de nós tanto quanto o oriente está afastado do ocidente. Não interessa se no passado fomos homicidas, ladrões, se nos prostituímos ou se simplesmente mentíamos ocasionalmente, o perdão de Deus é certo, total e definitivo. É algo que Deus faz na nossa vida. Nada lhe podemos adicionar ou tirar.

Tudo isso é contrário ao que o homem normalmente pensa em relação ao conceito de pecado e perdão. Nós homens tendemos a ser menos exigentes quanto ao pecado e, ao mesmo tempo, achamos errado, quase injusto, que pessoas cujas mãos estão sujas de sangue possam ser perdoadas tão facilmente e serem aceites por Deus. Esta discrepância entre a nossa forma de pensar e a mensagem do Evangelho vem confirmar-me mais uma vez que o cristianismo é absolutamente contraintuitivo do ponto de vista humano. Acredito na sua veracidade, que seja uma mensagem que vem de Deus e não de meros homens porque eu nunca teria sido capaz de a inventar ou imaginar. A mensagem de Jesus Cristo apanha-me em contra-ataque e deixa-me desconcertado. Mas ao mesmo tempo convence-me.

Querido leitor, se nunca te reconheceste pecador aos olhos de Deus acho que deves considerar o que verdadeiramente é a justiça de Deus e como nós somos incapazes de a cumprir verdadeiramente.

Se, ao invés, andas carregado com remorso e culpa por te teres reconhecido pecador ou por erros que possas ter praticado ao longo da tua vida, espero que hoje mesmo tu possas lançar todos os teus fracassos e a tua tristeza sobre Deus e possas acreditar que Jesus veio à terra e morreu numa cruz para resgatar todos os que se querem pôr em ordem perante Deus.

Boa noite

domenica 26 giugno 2011

CONHECER DEUS ATRAVÉS DE JESUS

Para a maior parte das pessoas, Deus é um mistério, algo que provavelmente não existe ou uma entidade que não dá clara prova de si mesmo ao mundo, escondendo-se atrás de uma cortina de invisibilidade. Se perguntássemos aos nosso amigos se existe algum Deus, provavelmente a resposta da maioria deles seria: talvez..

Eu acho que existem suficientes provas da existência de Deus, provas que vão desde as maravilhas da natureza, até ao inexplicável desejo que todo o ser humano sente dentro de si de encontrar algo acima de si mesmo. Mesmo quando me professava ateu, na realidade sempre fui um “ateu não praticante”, por assim dizer. O meu ateísmo não era a posição lúcida de quem pensa firmemente não poder existir alguma entidade superior. Era mais uma inclinação do coração, um desejo inconfessado que não existisse algum deus por não dever encarar a possibilidade que os meus atos pudessem ter consequências eternas, como contei no post “A minha história”. Contudo, no fundo sempre pensei que algo devia existir, que os meus sentimentos, o meu sistema circulatório, os flocos de neve, a alternância regular das estações, a matemática, a música, o renascimento, em suma, todas estas coisas que me deslumbravam e surpreendiam, não podiam ser o mero produto de um acaso cego e frio, sem sentido, finalidade ou racionalidade alguma.

Nos últimos anos, aprendi não somente a acreditar na existência de Deus, mais concretamente no Deus que se revelou das múltiplas formas relatadas na Bíblia, mas a conhecê-lo através do testemunho histórico da pessoa que se professou Seu filho, ou seja, Jesus Cristo. Acho que Deus, sabendo que pela nossa finitude nunca o poderíamos entender completamente, mandou ao mundo o Seu Filho para que nele pudéssemos ter uma imagem viva, concreta e ao nosso alcance do que Ele é realmente. Na pessoa do Seu Filho, nas suas palavras e no seus ensinamentos, ele nos dá a possibilidade de O conhecer.

Claramente, há muita coisa que eu ainda não compreendo de Deus. Posso ter lido mais do que uma vez a Bíblia ou vários textos de teologia, mas a realidade é que as perguntas às vezes ultrapassam em número as respostas e as certezas.

Todavia, no meio de tantas incertezas sei que em Jesus posso confiar. Vejo nos Evangelhos o seu amor, a sua justiça, a sua bondade para com todos, sobretudo para com os necessitados e os pecadores, e acredito que se há neste mundo alguém em que posso confiar cegamente, este alguém só pode ser ele. Tento aprender a confiar nele tanto para o dia de amanhã, quanto para a eternidade.

Se desejas conhecer a Deus e ainda tens muitas perguntas, aconselho-te em começar a procurar respostas nas palavras de Jesus Cristo. Não numa religião, num manual de espiritualidade ou autoajuda comprado num supermercado, nem nos conselhos de alguém que se proclama um líder espiritual, mas diretamente nas palavras de quem, há cerca de dois mil anos atrás, declarou aos discípulos que queriam ver Deus «Todo aquele que me viu, viu também o Pai».

venerdì 3 giugno 2011

A FRUSTRAÇÃO DE JESUS

Nalguns dos episódios relatados nos Evangelhos, Jesus parece-me triste e quase frustrado pela dureza do coração humano e pela sua teimosa recusa do dom gratuito da salvação que tinha vindo oferecer ao homem. Deixem-me utilizar uma imagem: é como se Jesus tivesse a cura contra o cancro, mas os doentes a quem era oferecida não a quisessem porque obstinadamente se consideravam perfeitamente sãos. Jesus continuava a dizer:

- Se vocês não confiarem em mim, morrerão nos vossos pecados!

e a gente respondia-lhe:

- Deixa-nos em paz! Nós não temos doença nenhuma, pára de inventar histórias!

A doença que Jesus veio curar chama-se «pecado», e a cura que ele propõe «arrependimento e perdão». Não interessa quão grave possa ser a doença ou o seu estádio, a cura é eficaz, total e não sujeita a erros médicos.

A negação da doença do pecado é a grande tragédia da humanidade, ainda nos dias de hoje. Esta é negada mesmo que os seus efeitos devastadores se vejam todos os dias nas guerras, nos homicídios, nos relacionamentos desfeitos, nos rancores, nos ódios, nas rivalidades, nas mentiras, nas desonestidades, na pobreza, no desinteresse pelo próximo.

O que eu costumo dizer é que mais do que os nossos pecados, por mais hediondos que possam ser, o que nos separa do amor de Deus é a recusa de reconhecê-los e pedir perdão. Ou seja, a recusa em detectar a doença e tratá-la. Quem procura o perdão, encontra-o com certeza. Quem bate à porta de Deus, mais tarde ou mais cedo verá a porta abrir-se. A quem quer recomeçar, será oferecida uma oportunidade. Não tenho dúvidas disso.

Quem porém se sente em perfeita saúde, não irá à procura do Grande Médico e arrisca-se a morrer estupidamente. Estupidamente, sim, porque a cura é gratuita e está ao alcance de todos, tem a distância de uma simples oração feita do fundo do coração.

mercoledì 18 maggio 2011

Deus e a responsabilidade civil

Desde os anos da faculdade, um dos temas do direito civil que mis me fascina é o da responsabilidade civil. Em síntese, a responsabilidade civil tem a ver com a indemnização dos danos causados por factos ilícitos. Exemplo: se Fulano destruir o carro de Sicrano, Fulano deverá pagar uma indemnização a Sicrano. O dano físico da perda do carro, o facto de Sicrano não ter podido utilizar o carro para ir ao trabalho, o dano moral do stress que lhe causou a procura de um carro novo: tudo isto é contabilizado e transforma-se numa quantia monetária que Fulano deverá liquidar. E se não pagar, haverá juros e a sua obrigação indemnizatória ficará pior do que antes.

Eu dou graças por Deus não querer aplicar o instituto da responsabilidade civil às nossas vidas. A Bíblia diz que todos temos pecado e estamos destituídos da graça de Deus. O pecado, enquanto ofensa a Deus, é a nossa conduta ilícita ou antijurídica, que Deus regista para um dia nos pedir contas. A nossa dívida amontoa, ao longo da vida, e nos carrega com uma carga impossível de suportar. A nossa inércia em pagar o que devemos acresce os juros da dívida. E a coisa pior é que somos incapazes de pagar, não temos recursos suficientes para apagar esta dívida e recomeçar do início.

E Deus que faz, perante tantos maus devedores? Perdoa-lhes a dívida, aceitando que uma terceira pessoa, isto é, o Seu Filho, a pague. De uma vez só, apaga o nosso registo de maus devedores. Jesus apanha o terrível jugo que pesava sobre os nossos pescoços, que quase nos impedia de andar, e nos dá liberdade. E o que pede de nós é simplesmente que queiramos aceitar este perdão. Tão simples quanto isso.

Uma vez escrevi que num mundo em que estamos ensinados que tudo tem um preço, o perdão é o maior milagre. Continuo a acreditar nisso. Deus é sem dúvida o jurista por excelência, mais do que isso, é o criador da própria justiça pela qual o Direito se rege. Mas connosco aceitou não aplicar estritamente o instituto da responsabilidade civil e a sua justiça retributiva, mas sim o instituto do perdão. E quem faria isso senão Alguém que nos ama de modo perfeito?

giovedì 31 marzo 2011

PERCEBER A GRAÇA

Já ouviram a expressão “ter uma epifania”? Significa ter uma improvisa e inesperada compreensão de alguma coisa, uma espécie de iluminação repentina que muda a nossa maneira de ver as coisas. É uma experiência que me aconteceu mais do que uma vez ao longo da minha vida.

A epifania que mais mudou a minha vida ocorreu há alguns anos atrás (devia ser Julho de 2007), quando, sentado no banco de uma igreja, de repente percebi o que queria dizer que Jesus Cristo tinha morrido para perdoar os meus pecados.

Como já escrevi num post anterior, já me tinha convertido há algum tempo. Só que, no meu caso, não tinha percebido logo inteiramente a mensagem do Evangelho. Assim, andei quase dois anos aprofundando os meus conhecimentos lendo a Bíblia e frequentando uma igreja. Aos poucos e poucos, muitas coisas tornavam-se claras. E a minha vida ia mudando.

Apesar disso, quando ouvia falar da morte de Jesus na cruz para o perdão dos pecados perguntava-me o que isso queria dizer. «Deus não podia simplesmente perdoar os homens sem necessidade de deixar morrer o seu Filho?», pensava.

Um domingo de Julho, estando eu de férias em Portugal, ouvi uma pregação numa igreja que veio mudar a minha vida. Lembro que não estava com muita atenção naquela manha, estava até a achar aborrecido o discurso do pregador, ou melhor, «de nenhuma utilidade», lembro-me de ter pensado naquele momento. Quase no fim da pregação, o pregador disse que quando os missionários cristãos tentavam explicar a graça aos índios americanos utilizavam uma história que fazia parte da sua própria cultura. A história era mais ou menos esta:

Havia uma vez um chefe que tinha sido procurado por alguns membros da sua tribo. Estes queixavam-se de ter sido vítimas de roubos de galinhas. O chefe, para reagir, decidiu emitir uma lei segundo a qual qualquer pessoa que tivesse sido apanhada a roubar uma galinha teria sido punida com uma chicoteada.

Todavia, depois de a lei ter sido emitida, os roubos não diminuíram, mas antes aumentaram. Em pouco tempo, já tinham desaparecido 100 galinhas. Até que foi apanhado o responsável. Com grande espanto de todos, descobriu-se que o responsável era...a mãe do próprio chefe.

A noite antes da execução da terrível punição, o chefe sentia-se profundamente angustiado no seu coração. Não podia voltar atrás, porque o crime tinha que ser justamente punido. E, além disso, se suspendesse a execução, quantas pessoas começariam a roubar impunemente? Mas como esconder o profundo amor que sentia para com a pessoa que o tinha dado à luz? Como punir alguém que amava de todo o coração?

Na manhã em que se devia executar a sentença, a mãe do chefe estava amarrada a um poste de madeira, pronta para receber as 100 chicoteadas. O chefe apresentou-se mas, sob o olhar espantado de todos, entregou o chicote ao seu servo, despiu-se, abraçou a mãe e ordenou que fosse executada a sentença, recebendo nas suas costas todas as chicoteadas.

Quando o pregador acabou esta história, explicou que Deus fez a mesma coisa connosco, quando estabeleceu o que era justo e o que era errado, e que o pecado tinha como salário a morte. Mas decidiu poupar a nossa vida e punir o seu próprio Filho, que nos abraçou voluntariamente e sem que o merecêssemos, independentemente das galinhas que já tivéssemos roubado.

No final deste discurso, já não achava aquela pregação desinteressante. De repente, algo mudou dentro de mim. Uma epifania. A mais forte e importante que alguma vez tive. Na tarde daquele dia, parecia-me que o meu coração, de tanta alegria, estivesse a dar cambalhotas dentro de mim.

giovedì 30 settembre 2010

A dor

Ninguém gosta de passar por períodos de sofrimento. Seja uma dor física, seja a dor de uma perda, de se sentir rejeitado por uma pessoa que se ama, todas estas dores nos marcam, deixando feridas não só no nosso corpo, mas também na nossa alma e nos nossos pensamentos.

Todavia, são os momentos de dor intensa que mais me fizeram crescer na minha vida. Algumas destas dores são o resultado directo dos meus erros e me mostram que tudo na vida tem uma consequência, que não podemos brincar nem com a vida nem com as pessoas, porque eles não são brinquedos que se podem substituir ou mandar arranjar. A dor é a consequência que mostra a real natureza dos nossos actos. Outras vezes, parece que a dor não tenha razão, que seja irracional e aleatória como a chuva ou o calor. Mas, mesmo nesses casos, nos pode ensinar alguma coisa.

C. S. Lewis dizia que a dor é o megafone de Deus. É uma imagem linda, a dor como a maneira de nos despertar. Eu porém penso na dor como um instrumento que Deus pode usar para arrumar a nossa vida. De repente, vemos que muitas das coisas que tinham lugar na nossa vida não têm valor algum, são objectos supérfluos que posámos em cima da mesa e deixámos aí a ocupar espaço. Quano os pomos no lixo, descobrimos outras coisas tão importantes, que, todavia, tínhamos esquecido no fundo dum baú.

De repente, as coisas assumem uma perspectiva diferente. Quantos momentos gastos em coisas inúteis, quantas preocupações fúteis e inúteis, quantas ocasiões de amar transformadas em rotina..

Espero que Deus elimine os nossos sofrimentos através do Seu amor. Mas também pessoalmente eu peço que me ajude a guardar um pouco das maiores dores por que passei na minha vida, como um perfume que pudesse cheirar todas as vezes que precisar de me lembrar o que realmente é importante e valioso na vida.

P.S.: este texto foi publicado sem revisões por parte de alguém que seja lusófono. Portanto, perdoem-me eventuais erros.